| Não esqueço a primeira vez que levei minha prosa\nDa terra da garoa pra cidade maravilhosa\nDe dia, misteriosa, e a noite, maliciosa,\nDeliciosa, mas tenho que dizer perigosa,\nGosto do verde, o rosa, seu brilho, sabores,\nA capela e o arco, nas calçadas mosaicos bicolores\nFlores,\neu sei que as rosas não falam,\nMas elas choram o Canto de Ossanha que os mestres deixaram,\nSalve simpatia, incensato destino,\nDeixa a vida me levar, pra ecoar o meu hino,\nAndanças, por mil e oitocentas colinas\nPartido tempo, Clara, menina Carolina,\nNos braços do Redentor a energia reluz,\nMax B.O., Aori, Waltinho, a força nos conduz,\nVida ensina a malandragem, e a rua é uma escola,\nPodem tirar o chapéu, mas ninguém tira o Cartola… Não, não!\nAh, nos braços do Redentor, eu viro bamba…\n(Nos braços do Redentor, no brilho do refletor,\na origem da Guanabara, a vida não para…)\nAh, dos braços do Redentor, eu vi o samba\n(Samba do trabalhador, rap do batalhador.\nvivendo a vida real, se esquivando do mal…)\nAh, nos braços do Redentor, eu viro bamba…\n(Malandro véio da Lapa, talento a cada quadra,\nquem é que encara na idéia, cara a cara…)\nAh, dos braços do Redentor, eu viro bamba,\n(Dos braços do Redentor…)\nEu vi o samba…\nNão somos mais a Capital, mas a pena aqui ainda é capital,\nNem vale a pena ir pro hospital,\nCena de cinema pra mim é normal,\nO sistema me condena e me ensina o mal\nDebaixo dos braços do cara, marginalidade dispara\nVárias balas sempre em direções contrárias\nTribos rivais se matam em batalhas diárias\nÉ por isso que chamam essa área de Pequena África\nMalícia, atividade, o resto que se foda\nLapa é malandragem, zoa a noite toda\nAqui o ritmo é «Tipo como» o tempo todo\nGritos, tiros, conflitos típicos urbanos\nDo ombro ao cotovelo, da palma a ponta dos dedos\nDas areias do Arpoador, as bancas do camelô\nDa arquibancada do Maraca, a todo canto da Baixada\nO sangue da Riachuelo nos braços do Redentor.\nAh, dos braços do Redentor, eu vi o samba…\n(Samba do trabalhador, rap do batalhador,\nvivendo a vida real, se esquivando do mal)\nAh, nos braços do Redentor, eu viro bamba\n(Nos braços do Redentor, no brilho do refletor\na origem da Guanabara, a vida não para)\nAh, dos braços do Redentor, eu vi o samba,\n(Nos braços do Redentor, a benção do Criador,\nessência pra que a violência não vença o amor)\nAh, nos braços do Redentor, eu viro bamba\n(Aori veio da Lapa, talento a cada quadra\nquem é que encara na idéia, cara a cara)\nEu viro bamba, eu vi o samba…\nÉ o Brasil Original, na medida ideal\nRap do batalhador, samba do trabalhador… |