| Eu tava na ciranda seco de dar pena |
| Doido por uma morena, louco pra em relaxar |
| A lua cheia já dizia oito ou oitenta, eram duas e quarenta |
| Quando eu fui pra atacar |
| Malemolente cheguei junto |
| Com sotaque vagabundo de malandro paraguaio popular |
| E já sabendo do assunto |
| A morena sincopada se jogou pra no meu corpo se aninhar |
| Sarapatel, lua de mel, e o pandeiro tocou |
| A gente assim, todinho a fim |
| E o homem dela chegou, o tempo então se fechou |
| A lua cheia broxou, nossa ciranda acabou |
| Olhei pra ele, ele pra mim, o pau quebrou |
| Nosso berreiro era um terror, mas o troféu era um tesão |
| Ela pedia pra parar nossa batalha |
| Que amanhã ela trabalha, que não é moleza não |
| Já era dia de repente |
| Quando a gente incrivelmente terminou não tendo força pra lutar |
| Mas a morena tinha sede |
| Tava a fim de uma esticada, de uns amassos pra poder se consolar |
| Sarapatel, lua de mel, e o pandeiro tocou |
| A gente nem, fôlego tem |
| E a morena chiou, e a morena chiou |
| E a morena chiou, e a morena chiou… |
| A noite toda de beijo e abraço, de vida de sonho, de muita ilusão |
| Êta morena da ginga gostosa, tão boa de ritmo e de divisão |
| Sarapatel, lua de mel, e um camarada chegou |
| Ele era assim, todinho a fim |
| E a morena gostou, o sol brilhante raiou |
| A vida continuou, ciranda recomeçou. |